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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Crônica de Pedro Pires Bessa

Publicado no JORNAL AGORA, 11/10/2012, Divinópolis, MG.

Emil de Castro

Um dos mais marcantes poetas brasileiros contemporâneos é Emil de Castro, com várias obras poéticas. Numa delas, o cantor de “Vozes do Mar”  lança-nos num encantador redemoinho marítimo!

Uma das características principais de sua poesia é ter a coragem de dar um mergulho profundo no abismo, que vai revelando, existencialmente, parcelas de seus segredos. O termo “abismo” forma poemas e está explícito em partes de muitos outros, isso torna-se bem mais forte e abundante, nos vários momentos poéticos, em que o abismo está subentendido. A voragem espreita o humano; o eu poético e os seres pairam à beira do abismo ou mergulham nele.

Quem tiver disposição de ondear-se pelas bordas e vastidões de abismo saboreará sobremaneira a poesia de um dos nossos grandes poetas.

Emil de Castro é também um excelente prosador. Por exemplo, em “A Sinfonia dos Caracóis”, há a impressionante demonstração de como tornar literatura (da boa) o cotidiano, num diário. É magnífico
omo na sua experiência vital está subjacente sua essência poética.

Acaba de sair “A ponte e outros contos”. O grande impacto que essa obra me causou foi o mesmo que senti lendo contos de Julio Cortázar, um dos maiores contistas fantásticos do universo, pelos seguintes motivos: em ambos os autores há um esplêndido jogo do real com o supra-real e do supra-real com o real, que Sartre chamou de jogo do tético com o não-tético.

O autor argentino com seus contos criou um mundo cortaziano, tendo, como emblema, a super-encantadora figura dos “Cronópios”. O autor mangaratibense cria um mundo emilcastrense, tendo, como emblema, o super-encantamento das “Borboletas”.

Cada conto, em ambos os autores, é uma rara jóia literária, primorosamente lapidada, que toma conta de todo o nosso ser e que jamais conseguiremos esquecer, aliás, o próprio Julio Cortázar considerava essa a principal característica de todo bom conto.

Emil de Castro fala de coisas como ponte, garagem, despacho, ciganos, dentista, avozinha, José, Maria, Paulo e outras aparentes cotidianidades; aparentes, porque, mansamente, o conto vai nos levando para o infinito do céu, o mias alto píncaro das montanhas e os mais insondáveis abismos da alma e dos seres.

Emil de Castro, em Mangaratiba, RJ, é um baluarte vivo da poesia, da literatura.

 


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